Contrato aponta Eduardo como produtor de filme financiado por Vorcaro; Deputado nega
Um contrato obtido pelo portal Intercept Brasil aponta que o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) atuou como produtor-executivo do filme “Dark Horse”, que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A revelação ocorre após a divulgação de mensagens e um áudio envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo a publicação, Vorcaro ajudou a financiar o projeto e chegou a pagar R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025.

Contrato aponta Eduardo como produtor de filme financiado por Vorcaro; Deputado nega – Foto: Reprodução
De acordo com a reportagem, as negociações envolveram contatos diretos entre o banqueiro e Flávio Bolsonaro, que, em áudio divulgado, pede dinheiro e pressiona pela liberação de pagamentos.
O contrato de produção, assinado digitalmente em 30 de janeiro de 2024, inclui Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mario Frias (PL-SP) como produtores-executivos. O documento também aponta a empresa GoUp Entertainment, sediada nos Estados Unidos, como responsável pela produção do filme.
Ainda conforme o conteúdo, os produtores deveriam atuar em atividades relacionadas ao desenvolvimento do projeto, incluindo o “envolvimento nas considerações estratégicas relacionadas ao financiamento do filme e preparação de informações e documentação para investidores e assistência na identificação de recursos de financiamento de filmes, incluindo créditos e incentivos fiscais, colocação de produtos e patrocínio”.
Eduardo nega ter atuado como produtor
Em resposta, Eduardo Bolsonaro negou ter atuado como produtor do filme e afirmou que o contrato teve outra finalidade. “Investi US$ 50 mil nos Estados Unidos. O objetivo era garantir um contrato com um diretor de Hollywood, para que ele pudesse elaborar o roteiro e dar início ao projeto. Esse contrato permitiu manter o diretor por dois anos, assumindo eu, pessoalmente, todos os riscos”, disse.
“Próximo ao final do contrato, e diante da possibilidade de perder o diretor, surgiu a oportunidade de atrair um grande investidor, que posteriormente se consolidou em um grupo de investidores”, continuou o ex-deputado.
Segundo ele, após a entrada de investidores, deixou a função prevista inicialmente. “Com a reestruturação da operação, que passou a envolver fundos de investimento, deixei a função de diretor-executivo, mantendo-me como detentor dos direitos autorais para que um ator pudesse me representar no filme. Desta forma, não haveria a necessidade de qualquer ação judicial posterior da minha parte”, disse.
Uma das linhas de apuração, segundo o blog da jornalista Andreia Sadi, busca esclarecer se os recursos foram destinados à produção do filme ou utilizados para outras despesas nos Estados Unidos, onde Eduardo Bolsonaro reside desde fevereiro do ano passado.
Na quinta-feira (14), o ex-deputado afirmou que seu status migratório impediria o recebimento de recursos de fundo de investimento ligado ao banqueiro.
O caso também envolve a produtora GoUp Entertainment, sediada na Flórida, que tem como sócios Karina Ferreira da Gama e Michael Brian Davis. Segundo a publicação, Karina também é sócia do Instituto Conhecer Brasil.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de uma apuração preliminar para investigar supostas irregularidades na destinação de emendas parlamentares a entidades ligadas à GoUp, incluindo o instituto.
O STF também tenta intimar o deputado Mario Frias para prestar informações sobre “possíveis irregularidades na execução de recursos de emendas” destinados ao Instituto Conhecer Brasil.
O caso segue sob investigação e envolve a análise de contratos, movimentações financeiras e a atuação dos envolvidos na produção do filme.
Fonte Agora RN

