“Álvaro é representante da extrema direita e Allyson é bolsonarista enrustido”, afirma Cadu Xavier
O pré-candidato do PT ao Governo do Estado, Cadu Xavier, elevou o tom contra seus principais adversários ao projetar o cenário da disputa eleitoral de 2026 no Rio Grande do Norte. Em entrevista exclusiva a O CORREIO DE HOJE, ele classificou Álvaro Dias (PL) como “representante da extrema direita” no Estado e afirmou que sua gestão como prefeito de Natal foi marcada por “obras inacabadas”. Já em relação a Allyson Bezerra (União), declarou que o ex-prefeito de Mossoró é um “bolsonarista enrustido”, que evita assumir posições políticas de forma clara por medo de perder votos.
As declarações do ex-secretário estadual da Fazenda dão o tom de uma pré-campanha que, segundo o próprio Cadu, tende a ser marcada pela polarização ideológica. Ele, inclusive, não descarta estar no segundo turno da disputa contra Álvaro Dias, devido ao fato de os dois estarem mais claramente alinhados aos dois polos predominantes da política nacional. Atualmente, Allyson Bezerra lidera as pesquisas para o governo, mas pode recuar, na avaliação do nome do PT.

Ex-secretário da Fazenda Cadu Xavier é pré-candidato ao Governo do Estado pelo PT e aposta em ligação com Lula – Foto: José Aldenir / O Correio de Hoje
“É natural que essa polarização nacional se reproduza aqui. É um cenário extremamente possível esse embate no segundo turno entre o candidato da extrema-direita e a nossa candidatura, que é a candidatura do campo democrático”, afirmou.
Cadu Xavier se posiciona como representante do campo alinhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e à governadora Fátima Bezerra (PT), enquanto atribui aos adversários uma vinculação com a direita e a extrema-direita.
No caso de Álvaro Dias, a crítica foi direta. “O ex-prefeito de Natal é, mesmo que às vezes ele diga que é e depois desdiga, o representante da extrema-direita aqui no Estado”, declarou. Para ele, esse alinhamento ideológico será um dos eixos centrais do debate eleitoral.
Já sobre Allyson Bezerra, Cadu adotou um tom ainda mais incisivo, ao questionar a postura do adversário em relação ao cenário nacional. “Eu vou dizer que ele é um bolsonarista enrustido. Ele não quer se colocar porque talvez ele tenha medo da repercussão política nos possíveis eleitores dele”, afirmou. Segundo o petista, a tentativa de evitar um posicionamento claro seria uma estratégia para não perder apoio em diferentes segmentos do eleitorado.
Cadu também criticou o que considera incoerência política no grupo de Allyson. “O palanque dele está repleto de oligarquias”, disse, citando a presença de famílias tradicionais da política potiguar como os Alves e os Maia.
“Ele ficar em cima do muro talvez seja para esconder essa opção”, acrescentou Cadu, afirmando, porém, que o estilo de gestão de Allyson denuncia seu posicionamento ideológico. “A gestão lá em Mossoró não valorizou o servidor. Ele não mais está lá, mas tem um acampamento na prefeitura de servidores públicos”, contou o nome do PT.
Críticas à gestão de Álvaro e comparação de obras
Durante a entrevista, Cadu concentrou críticas no ex-prefeito de Natal. O ex-secretário da Fazenda contestou a narrativa de Álvaro Dias, que acusa a gestão da governadora Fátima Bezerra de não ter entregado nenhuma obra.
“Ele disse que a gente não tem obra. A gente tem muita entrega, muita entrega mesmo, nesse período de sete anos do governo da professora Fátima. A governadora entregou 10 Ierns, a gente está fazendo o maior programa de recuperação de rodovia, em parceria com o governo do presidente Lula”, afirmou Cadu, ao defender o legado do governo estadual.
Em seguida, fez uma comparação direta entre equipamentos públicos para ilustrar o que considera diferenças entre os modelos de gestão. “O nosso governo entregou o Hospital da Mulher. Quem for lá agora vai encontrar funcionando. Comparativamente, o cidadão que for ao hospital municipal entregue pela gestão Álvaro Dias vai encontrar o hospital de portas fechadas”, declarou.
A crítica se estendeu a outras obras da capital. Ele registrou que há casos de inaugurações sem conclusão efetiva. “Entregou um hospital inacabado, entregou obra que não está pronta, fez inauguração sem estar pronta”, disse. Além do hospital, ele citou equipamentos como o mirante da Ladeira do Sol, o Mercado da Redinha e outras intervenções na Zona Norte como exemplos de obras que não estão plenamente operacionais, apesar de terem sido oficialmente inauguradas.
“É comparar o nosso governo, que é um governo sério, com obras entregues, finalizadas e funcionando, com um governo que entregou obras inacabadas. Inaugurou e está de porta fechada. A gente não vai ter receio nenhum de fazer esse debate, não”, emendou Cadu.
Defesa do governo Fátima e estratégia eleitoral
Apesar de reconhecer que o governo da governadora Fátima Bezerra enfrenta altos índices de desaprovação, Cadu Xavier afirmou que a estratégia da campanha será baseada na apresentação de resultados concretos.
“Eu estaria bem mais preocupado se a gente tivesse uma má avaliação sem entregas para apresentar”, afirmou. Para ele, o cenário pode ser revertido ao longo do processo eleitoral com a comparação entre a situação atual do Estado e períodos anteriores. “Nós temos entregas, nós temos discurso para defender o governo”, enfatizou.
“Quando a gente levar todas as entregas do governo, comparando com o que era o Rio Grande do Norte antes, a gente vai fazer com que o eleitor faça essa reflexão”, disse.
Cadu também destacou que, na sua avaliação, houve avanços em diferentes áreas. “Todos os índices, todos os segmentos a gente caminhou para frente”, afirmou, citando segurança, saúde, educação e infraestrutura.
Outro ponto enfatizado foi a ausência de escândalos de corrupção. “Não há no governo um escândalo de corrupção”, declarou.
Campanha nacionalizada e alinhamento com Lula
O pré-candidato deixou claro que pretende nacionalizar o debate eleitoral no Estado, associando sua candidatura diretamente ao governo federal. “Somos o candidato do presidente Lula”, afirmou, destacando que vê isso como um ativo político.
“Temos muito orgulho de ser chamados de Cadu de Lula, porque defendemos as bandeiras e as políticas do governo do presidente”, disse.
Entre os temas que devem pautar a campanha, ele citou a defesa de medidas e programas federais, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, a redução da jornada de trabalho com o fim da escala 6×1 e programas sociais como o Minha Casa Minha Vida e o Pé-de-Meia.
Ao mesmo tempo, reconheceu que adversários devem explorar outras pautas, como segurança pública, embora avalie que, no caso do Rio Grande do Norte, os indicadores favorecem o atual governo. “Os índices de segurança hoje são muito melhores do que eram antes”, afirmou.
Construção da chapa e articulação política
Cadu Xavier afirmou que ainda não há definição sobre o nome que irá compor a chapa como candidato a vice-governador. Ele disse o processo de escolha está em curso e que a definição será feita dentro de um conjunto de aliados. Questionado sobre nomes, afirmou apenas que guarda uma “carta na manga”.
Questionado sobre o nome de Luciana Montenegro (PV), que passou a ser cotada para vice nos últimos dias, Cadu confirmou que ela é uma opção. A advogada é irmã do ex-prefeito de Assú Gustavo Soares e do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) George Soares.
“É um quadro. Representa o capital político de uma região muito importante (Vale do Açu) e é de um grupo político que tem uma parceria exitosa com o governo da professora Fátima. A parceria desse grupo com o governo da professora Fátima trouxe muitas entregas para o povo de Assú”, afirmou o pré-candidato do PT.
“É um excelente nome, é uma possibilidade real. Mas temos outras possibilidades”, acrescentou.
Ele elencou três critérios principais para a definição: “Primeiro, a lealdade. Segundo, o capital político. E terceiro, a contribuição do ponto de vista programático”.
O pré-candidato disse que a federação formada por PT, PV e PCdoB conseguiu montar uma nominata forte para as eleições proporcionais e destacou a expectativa de ampliar a representação no Congresso e na Assembleia Legislativa. Ele afirmou que projeta a eleição de até quatro deputados federais e oito deputados estaduais.
No campo das alianças, ele afirmou contar com o apoio do presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB). “A gente conta, sim, no momento certo, em trazer o presidente Ezequiel para o nosso palanque”, disse.
Em relação à disputa para o Senado, Cadu lamentou a saída de Fátima Bezerra da disputa, argumentando que ela foi vítima de uma “traição” do vice-governador Walter Alves (MDB) — que rompeu com o PT e anunciou que não assumiria a gestão em caso de renúncia de Fátima Bezerra. Isso levaria o Estado a uma eleição indireta, na qual o governo não tinha votos para eleger o sucessor.
Neste sentido, o ex-secretário da Fazenda destacou o papel da vereadora Samanda Alves, nome que o PT escolheu para ir para a disputa. “Samanda Alves vai cumprir o papel de, claro, colocar as suas ideias na disputa, mas ela vai também cumprir o papel de representar a governadora Fátima nessa eleição. Eu tenho dito que Samanda é Fátima”, afirmou, indicando que a candidatura representa a continuidade do projeto político.
Em 2026, cada estado vai eleger dois senadores. Sobre o segundo nome ao Senado na chapa, ele afirmou que a indicação caberá ao PDT, que fará sua escolha entre os nomes do ex-senador Jean Paul Prates e do ex-deputado federal Rafael Motta. Como mostrou O CORREIO DE HOJE, essa escolha acontecerá com base em uma pesquisa eleitoral que deverá ir a campo nos próximos dias.
“Esse é o time de Lula, vamos dizer assim, que vem muito forte para fazer o debate”, resumiu.
Plano de governo e agenda de campanha
O pré-candidato afirmou que o plano de governo está em elaboração e contará com a participação de quadros técnicos e acadêmicos dos partidos da federação. Segundo ele, a proposta será estruturada com metas claras e caráter regionalizado.
“Eu não abro mão de um plano de governo factível, com metas e regionalizado”, afirmou.
Como parte da estratégia de campanha, Cadu anunciou que pretende percorrer todos os 167 municípios do Estado. “Vou percorrer os 167 municípios para ouvir as pessoas, sentir as demandas e contribuir na elaboração do programa de governo”, disse.
Ele também mencionou a realização, entre o fim de abril e o início de maio, de um evento com participação de lideranças nacionais, incluindo a expectativa de visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Estado. Segundo Cadu, a agenda deve incluir anúncios de obras e investimentos federais. Outro nome aguardado no RN é o presidente nacional do PT, Edinho Silva.
Agenda fiscal ocupará lugar central no próximo governo
Questionado sobre os desafios do próximo governo, Cadu Xavier afirmou que a questão fiscal será pauta central na administração, qualquer que seja o governo. Na entrevista, o pré-candidato reconhece a existência de uma crise prolongada, embora enfatize que o Estado já está em trajetória de recuperação.
“A agenda fiscal se impõe. O Rio Grande do Norte está em um processo de crise fiscal há mais de 20 anos, acima do limite prudencial”, afirmou. A referência é ao comprometimento elevado da receita com despesas obrigatórias, especialmente com pessoal, que historicamente restringe a capacidade de investimento do Estado.
Segundo Cadu, o desafio central do próximo governo será ampliar essa capacidade de investimento, que hoje gira em torno de 3% a 4% da receita — o menor patamar entre os estados. “Quando a gente fala em capacidade de investimento, a gente está falando de mais recursos para fazer estradas, para fazer escolas, para reformar hospitais”, explicou.
A estratégia apresentada por ele passa por uma equação clássica das finanças públicas: fazer com que a receita cresça em ritmo superior ao das despesas. “O caminho não tem outro: fazer com que o Estado arrecade mais do que gasta e que a trajetória de receita cresça acima da principal despesa, que é o comprometimento com pessoal”, disse.
Nesse ponto, Cadu busca diferenciar sua visão da defendida por adversários. Ele critica propostas como Programa de Demissão Voluntária (PDV) e congelamento salarial, mencionadas por aliados de candidaturas concorrentes, classificando essas medidas como inadequadas para a realidade do Estado. “Isso denota até um desconhecimento do Estado. Fazer um PDV vai agravar ainda mais o problema, porque a gente tem déficit de pessoal no serviço público”, afirmou.
A defesa da valorização do funcionalismo aparece como um dos pilares de sua abordagem. Para ele, tratar o servidor como responsável pelo desequilíbrio fiscal é um erro conceitual e político. “Não pode tratar o servidor público como problema. A gente está falando do enfermeiro que está no hospital, do policial que está na rua, do professor que está na sala de aula”, declarou.
Ao mesmo tempo, o pré-candidato tenta sustentar a tese de que houve melhora nos indicadores fiscais durante a gestão da governadora Fátima Bezerra. “Muitos falam em caos fiscal, mas todos os indicadores são melhores hoje do que eram antes do governo”, disse.
Essa leitura se conecta com a ideia de continuidade administrativa. Para Cadu, a manutenção da trajetória atual é suficiente para ampliar progressivamente a capacidade de investimento. Ele registra que a atual gestão aprovou legislações que vão limitar o crescimento da despesa nos próximos dias. “A gente inicia uma trajetória de retomada dessa capacidade. Se for mantida no próximo governo, vamos conseguir investir ainda mais”, afirmou.
Fonte Agora RN

